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As feridas que carregamos desde a infância

As feridas que carregamos desde a infância

08 Apr, 2021

Antes mesmo de compreender as palavras, a criança sente o afeto dos pais. A forma como é acolhida no colo, a expressão facial de quem cuida, o tom de voz. Tudo isso é sentido e integra as primeiras impressões que ela tem a respeito de si mesma. São as mensagens não verbais. Aos poucos, com a compreensão das palavras, ela passa a se descobrir conforme as mensagens que recebe. Como resultado, se torna forte ou insegura para realizar tarefas cotidianas. Isso porque frases e comportamentos dos pais ou cuidadores passam a ser determinantes na vida da criança e interferem significativamente em suas relações em diversas esferas da convivência social. É neste contexto que surgem as feridas emocionais na infância. Por mais que os pais tentem acertar na criação de um filho, os erros acontecem. Comportamentos muitas vezes inconscientes interferem na forma como a criança se vê. Inclusive, nós, adultos, trazemos feridas desde a infância e que refletem em algumas condutas que adotamos. Em suma, todos nós tivemos (e as crianças terão) experiências dolorosas na infância que moldam nossa personalidade adulta. Por isso, o melhor é ter consciência delas para que possamos curá-las em nós e não repetirmos com os pequenos. Lise Bourbeau, formada em Filosofia pela Universidade da Califórnia e ensaísta sobre desenvolvimento pessoal, assinala em seu livro “As cinco feridas que impedem de ser nós mesmos” as 5 feridas principais que carregamos desde a infância: traição, abandono, rejeição, humilhação e injustiça. A ferida da traição aparece quando não se cumpre o que promete. A criança se sente traída e enganada, e essa desconfiança pode ser transformada em sentimentos negativos, como a inveja, pois ela não se sente merecedora do prometido. Um adulto com essa ferida desenvolve personalidades controladoras e perfeccionistas, e é muito exigente nas relações. A ferida do abandono é igualmente grave, porque a criança sente medo de estar sozinha, isolada e desprotegida. Pais ausentes dão origem a adultos que tendem a abandonar pessoas e projetos, porque têm temor de reviver o sentimento de abandono. A saída para este comportamento não é fácil, mas passa pelo confronto ao temor de ficar sozinho. A ferida da rejeição aparece quando a criança entende que não é aceita como é. Isso impede a construção adequada da autoestima e do amor próprio, e a pessoa não aceita seus próprios sentimentos e pensamentos. O resultado é um adulto que se isola pelo medo de não agradar ninguém e que sente dificuldade em pertencer a algum grupo ou lugar. A cura dessa ferida passa por ocupar seu próprio lugar e tomar decisões por si mesmo. A ferida da humilhação é gerada quando a criança sente que os outros a criticam e a desaprovam. Por isso, muito cuidado ao dizer que seu filho ou sua filha é desajeitado(a) ou chato(a), ou falar dos problemas dele/a em frente a outras pessoas. Essa ferida forma adultos dependentes, com dificuldade em cultivar o autocuidado, mas também egoístas e “tiranos”, que usam a humilhação ao outro como mecanismo de defesa. Por fim, a ferida da injustiça, muito comum quando lidamos com pais frios e autoritários, excessivamente exigentes. A criança que carrega essa ferida desenvolve sentimentos de ineficácia e de inutilidade e se torna um adulto rígido e exigente de si mesmo. Devido ao perfeccionismo e à necessidade de ordem, radicalizam suas ideias e têm dificuldades para tomar decisões seguras. Essas feridas que carregamos desde a infância afetam nossa saúde, nosso desenvolvimento pessoal e nosso bem-estar. Devemos ter consciência delas para que possamos curá-las e para que não repitamos esse comportamento com nossas crianças. O primeiro passo você já deu, que é ler esse texto e começar a tomar consciência sobre elas e sobre como podemos afetar o desenvolvimento de nossos filhos. O segundo passo é aceitar que somos imperfeitos e que as feridas estão em nós, para que nos permitamos senti-las e, então, superá-las
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