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O papel da população branca na manutenção do racismo

O papel da população branca na manutenção do racismo

19 Nov, 2020

O papel da população branca na manutenção do racismo - e como ser antirracista

Você já ouviu falar em branquitude? De acordo com Lia Vainer Shucman, professora do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina, branquitude diz respeito à cultura branca como padrão de humanidade, “um lugar de conforto onde se olha o outro com uma lente que não se olha a si mesmo, e essa lente é a da raça”.

A filósofa brasileira Djamila Ribeiro aponta que o racismo é, por isso, uma problemática branca. A branquitude inventou o racismo e deve se responsabilizar por ele. Na prática, precisamos reconhecer que nós, brancos, somos dotados de privilégios desde o momento em que nascemos.

Nós aprendemos a ser racistas independentemente de orientação política, porque o racismo é estrutural. Isso significa dizer que ele está “incrustado” na estruturação da sociedade brasileira, que discrimina negros e indígenas em favor dos brancos. Existe uma falsa democracia racial, porque não há igualdade material de direitos. 

Um exemplo simples: assassinatos de negros crescem 11,5% em 10 anos, com predominância de mortes entre os jovens. Esse é só um retrato da desigualdade.

O sistema atual contribui para que os brancos continuem definindo os padrões, que é sua própria estrutura de privilégios. O status quo. Por isso, mesmo quando não desejamos ser racistas caímos na perpetuação do racismo, pois não questionamos o status quo. E é exatamente este o motivo da célebre frase de Angela Davis: “Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.”

Toda pessoa branca é racista, porque a questão não se restringe ao âmbito individual, mas coletivo. O branco se beneficia de sua raça, seja agindo em benefício próprio, se mantendo calado ou silenciando o outro.

E como ser antirracista? Questionando o padrão imposto ao mundo, em que o branco é a medida de si e dos outros. O “ser” não se restringe ao homem branco ou, no máximo, à mulher branca. É preciso olhar para si, se perceber como privilegiado e reconhecer a responsabilidade na manutenção do racismo. Educar-se na questão racial, sem esperar que um outro o faça, é fundamental para entender a relação pessoal com o racismo.

Compreendida essa primeira parte, vamos ao nosso foco: como ter filhos antirracistas? Assim como nós devemos nos educar na questão racial, precisamos repassar às crianças aquilo que elas compreendem: ações. Não adianta falar com uma criança de 6 anos sobre branquitude, sendo que nós sequer entendemos a profundidade do conceito. Mas é possível ensiná-la as práticas de âmbito individual, que consideram a inclusão e a não-discriminação (inclusive quanto ao vocabulário).

É também importante ensinar, de forma lúdica, como temos uma sociedade estruturalmente racista, em que brancos e negros não têm as mesmas oportunidades e condições de vida, como educação, saúde, emprego e direitos sociais. A Turma da Mônica, por exemplo, já trouxe muitas historinhas que tratam do racismo. Pense nos desenhos que seus filhos assistem e se eles incluem personagens negros tanto como os brancos. Parece bobagem, mas importa muito.

Na medida em que ficam maiores, é possível incluí-las em ações políticas (que não se restringem à política formal, dos representantes populares) que adotamos e que podem corrigir esse desequilíbrio social. É se mobilizar efetivamente na luta antirracista. É utilizar os privilégios para contribuir para a construção de uma sociedade sem racismo.

Não é nada fácil ir contra o padrão social imposto, mas é extremamente necessário combater o racismo. Nós, brancos, precisamos ser antirracistas, e isso começa quando saímos do lugar de superioridade próprio da construção da identidade da população branca. 

Vamos estudar para poder repassar às nossas crianças os preceitos de uma verdadeira igualdade na sociedade?

Caso queira se aprofundar no tema, recomendamos fortemente a série Entrevista, do Canal Futura, disponível gratuitamente no GloboPlay, e os conteúdos do Portal Geledés, uma OSC que se posiciona em defesa de mulheres e negros.

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